A importação e exportação de fertilizantes no Brasil envolve uma sequência rigorosa de controles técnicos, sanitários e aduaneiros que condicionam tanto o ingresso quanto a saída desses insumos do território nacional.
Essa dinâmica integra normas do comércio exterior, exigências agropecuárias e critérios de qualidade que buscam proteger a produção agrícola, o meio ambiente e a saúde pública.
Ao lidar com produtos que impactam diretamente a produtividade do campo, o país estabelece procedimentos detalhados que vão desde o registro de estabelecimentos até a verificação laboratorial das características físico-químicas dos fertilizantes.

Estrutura legal e a função do MAPA
O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) exerce função central na regulação do setor, pois é ele define critérios técnicos para registro de produtos, habilitação de empresas e fiscalização das operações.
No caso da importação e exportação de fertilizantes, o órgão atua por meio de normativas específicas e sistemas integrados ao comércio exterior brasileiro.
A Portaria MAPA nº 835, de 9 de setembro de 2025, estabelece diretrizes para o tratamento administrativo no Portal Único de Comércio Exterior. Em suma, ela determina que produtos de interesse agropecuário sujeitos a controle devem cumprir requisitos prévios antes da autorização de importação. Isso inclui análise documental, avaliação de risco e verificação de conformidade com padrões nacionais.
O controle não se limita ao aspecto burocrático, já que o MAPA também define parâmetros técnicos relacionados à composição dos fertilizantes, limites de contaminantes e exigências de rotulagem. Essas regras se articulam com instruções normativas anteriores, por exemplo, a Instrução Normativa SDA nº 27/2006, que trata de limites de contaminantes e critérios analíticos.
Quem pode importar fertilizantes?
A legislação brasileira restringe a importação a operadores devidamente registrados. Duas categorias principais podem realizar essa atividade:
- Estabelecimento produtor registrado no MAPA
- Estabelecimento importador registrado no MAPA
Em ambos os casos, o produto também precisa sobretudo possuir registro válido. Isso significa que não basta a empresa estar habilitada; o fertilizante em si deve atender aos requisitos técnicos e legais para comercialização no país.
Esse modelo evita a entrada de produtos sem rastreabilidade ou fora dos padrões exigidos. Também assegura que apenas agentes com capacidade técnica e responsabilidade legal conduzam as operações.
Autorização prévia e tratamento administrativo na importação e exportação de fertilizantes
Antes da importação, a empresa importadora ou seu representante legal deve obter autorização prévia, mediante registro no Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).
A autorização depende de análise documental e, em alguns casos, de exigências adicionais definidas pelo MAPA. O órgão pode solicitar informações técnicas, certificados laboratoriais e comprovação de origem.
Documentação exigida na importação
A importação exige um conjunto de documentos que comprovam a origem, composição e regularidade da carga. Entre os principais, destacam-se:
- Declaração Agropecuária de Trânsito Internacional (DAT)
- Conhecimento de embarque
- Fatura comercial (Commercial Invoice)
- Packing list
- Licença de importação
- Certificado de Análise com dados técnicos do produto
- Certificado de Análise com indicação de contaminantes, quando exigido
- Certificado Fitossanitário, quando aplicável
O Certificado de Análise assume papel relevante, pois detalha a composição química do fertilizante. Ele deve apresentar informações como teores de nutrientes, presença de metais pesados e outras substâncias reguladas.
Quando a legislação exige, o documento também precisa indicar contaminantes conforme os limites definidos pela normativa vigente. Isso garante que o produto não cause danos ao solo ou à cadeia produtiva.
O controle adotado pelo Brasil é rigoroso afim de que se busque garantir que os fertilizantes comercializados apresentem qualidade adequada. Isso impacta diretamente a produtividade agrícola e a sustentabilidade do solo.
Assim como a verificação de contaminantes evita a introdução de substâncias nocivas no ambiente. Por fim, a exigência de garantias assegura que o produto entregue corresponda às especificações declaradas.
Chegada da mercadoria e procedimentos de fiscalização
Após a chegada ao Brasil, a carga primeiramente passa por inspeção antes da liberação agropecuária.
A fiscalização pode incluir:
- Conferência documental
- Inspeção física da carga
- Coleta de amostras para análise laboratorial
- Verificação de rotulagem
O nível de rigor varia conforme o gerenciamento de risco agropecuário. Fertilizantes e corretivos minerais podem ser dispensados de inspeção física em determinados casos, desde que atendam a critérios previamente definidos.
Quando a Declaração Agropecuária de Trânsito Internacional é direcionada para o canal vermelho, a fiscalização se torna mais detalhada. Nesse cenário, o auditor verifica se a rotulagem correspondem às informações declaradas.
Exigências de rotulagem e identificação
A rotulagem deve apresentar informações obrigatórias em língua portuguesa, sendo principalmente estes:
- Nome e CNPJ do importador
- Número de registro do estabelecimento
- Número de registro do produto
- Garantias do produto (teores de nutrientes)
- Especificação da natureza física
- Outras informações previstas em normas específicas
Essa etapa assegura transparência e rastreabilidade. Também permite que o produto seja corretamente identificado ao longo da cadeia de distribuição.
Gestão de risco e dispensa de inspeção
O sistema brasileiro adota critérios de gerenciamento de risco para definir o nível de fiscalização. Empresas com histórico positivo e produtos já consolidados no mercado podem ter procedimentos simplificados.
Essa abordagem reduz custos logísticos e acelera a liberação de cargas, sem comprometer o controle sanitário. Ainda assim, o MAPA mantém autoridade para realizar inspeções sempre que necessário.
Dinâmica da exportação de fertilizantes
A exportação segue lógica distinta da importação. Nesse caso, o foco recai sobre o atendimento às exigências do país de destino, além do cumprimento da legislação brasileira.
O Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) regula essas operações com base no Manual estabelecido pela Instrução Normativa MAPA nº 39/2017. Esse documento define procedimentos de fiscalização, emissão de certificados e controle de cargas.
Quando o país importador não impõe exigências específicas, o MAPA não interfere no ponto de egresso. Isso simplifica o processo e reduz a burocracia para exportadores.
Documentação exigida na exportação
A exportação requer um conjunto de documentos que comprovam a regularidade da operação e a conformidade do produto. Entre eles:
- Declaração Agropecuária de Trânsito Internacional (DAT)
- Certificado de Análise, quando solicitado
- Certificado de Registro do estabelecimento
- Certificado de Registro do produto, quando exigido
- Registro de Exportação (RE)
- Nota fiscal
- Fatura comercial
- Conhecimento ou manifesto de carga
A exigência de cada documento depende das regras do país de destino. Alguns mercados demandam certificações específicas, enquanto outros adotam critérios mais flexíveis.
Documentos emitidos pelos órgãos anuentes na importação e exportação de fertilizantes
Durante o processo de exportação, o MAPA pode emitir documentos que formalizam a fiscalização e atestam a conformidade da carga. Entre eles:
- Parecer de fiscalização em sistema informatizado
- Notificação Federal Agropecuária, quando aplicável
- Certificado Fitossanitário, quando exigido
Esses documentos servem como garantia de que o produto atende às condições sanitárias e técnicas necessárias para o comércio internacional.
Impactos logísticos e operacionais
O cumprimento das exigências regulatórias influencia diretamente o planejamento logístico. As empresas precisam considerar prazos para obtenção de autorizações, análise documental e inspeções.
A ausência de um documento ou inconsistências nas informações pode gerar atrasos, custos adicionais e até a devolução da carga. Por isso, a gestão documental precisa ser precisa e alinhada às normas vigentes.
Além disso, na importação, a escolha de fornecedores internacionais deve levar em conta a capacidade de atender às exigências brasileiras. Isso inclui emissão correta de certificados e adequação da composição do produto.
Desafios e pontos de atenção
Empresas que atuam na importação e exportação de fertilizantes enfrentam desafios relacionados à complexidade regulatória. A constante atualização de normas exige acompanhamento técnico e jurídico.
Outro ponto relevante envolve a harmonização entre exigências brasileiras e requisitos internacionais. Diferenças de padrões podem demandar ajustes na formulação ou na documentação dos produtos.
Destaca-se também a necessidade de integração entre áreas internas das empresas, como logística eficiente e com preço competitivo, qualidade e comércio exterior. A falta de alinhamento pode comprometer a eficiência das operações.
Importação e exportação de fertilizantes é com a XP Shipping
Empresas que operam no comércio internacional de insumos agrícolas precisam lidar com exigências técnicas detalhadas, prazos rígidos e contato com órgãos reguladores. Nesse cenário, contar com uma assessoria especializada reduz riscos operacionais e melhora a previsibilidade das etapas.
A XP Shipping atua no planejamento e execução de operações logísticas voltadas ao setor agroindustrial, com foco na correta condução de processos envolvendo fertilizantes. Acompanhamos desde a análise documental inicial até a liberação final da carga, garantindo aderência às normas do MAPA e aos requisitos aduaneiros.
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