A produção agrícola brasileira consolidou uma presença consistente no comércio exterior, e a exportação de café ocupa posição de destaque nesse cenário ao articular uma cadeia extensa que envolve produtores, cooperativas, tradings, operadores logísticos e órgãos reguladores.
Dados do governo mostram que o café brasileiro tem presença consolidada em mercados estratégicos, sendo exportado para mais de 100 países, com a Alemanha e os Estados Unidos liderando as importações, com volumes superiores a 5 milhões de sacas ao longo do ano de 2025.
Esse processo não se resume simplesmente ao embarque do produto; pelo contrário, ele começa no campo, atravessa etapas técnicas rigorosas e termina com a entrega ao comprador internacional, atendendo a padrões de qualidade e requisitos sanitários definidos por diferentes mercados.

Panorama da produção cafeeira no Brasil
O Brasil mantém liderança histórica na produção e no envio de café ao exterior. Além disso, o país combina fatores naturais favoráveis, como clima, altitude e diversidade de solos, com técnicas agrícolas avançadas.
As principais regiões produtoras concentram-se em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, cada uma com características específicas que influenciam o perfil sensorial do grão.
Minas Gerais concentra a maior área cultivada, com 1,4 milhão de hectares, com a predominância do café arábica (99%), o que equivale a 62% da área cultivada com café no país, sendo o principal estado nacional produtor, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
A produção divide-se, em linhas gerais, entre café arábica e café conilon (robusta).
De acordo com o relatório mensal de junho de 2025 do Cecafé – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, as exportações de café do Brasil, na safra 2024-2025, atingiram o total de 45,58 milhões de sacas de 60 Kg, equivalente a uma receita cambial de US$14,7 bilhões.
Do volume total exportado, o café da espécie Coffea arábica totalizaram 34,80 milhões de sacas, representando 76,35% das exportações, enquanto o café da espécie Coffea canéfora (robusta +conilon) totalizaram 6,57 milhões de sacas, representando 14,41% das exportações brasileiras de café.
Etapas iniciais: cultivo, colheita e beneficiamento
O processo começa com o manejo adequado das lavouras, em que os produtores utilizam técnicas de irrigação controlada, adubação balanceada e monitoramento fitossanitário a fim de garantir produtividade e qualidade. A colheita pode ocorrer de forma manual ou mecanizada, dependendo do relevo e do nível de tecnologia adotado.
Após a colheita, o café passa por separação e lavagem, considerando frutos maduros, verdes e secos, e em seguida por processos de beneficiamento que determinam características importantes do produto. Nesse sentido, há duas vias possíveis:
- Via seca (natural): café verde ou seco (ou boia)
- Via úmida (lavado): café maduro, também conhecido como cereja
Essas etapas exigem controle rigoroso de umidade, temperatura e tempo, pois qualquer falha pode comprometer a qualidade do lote e inviabilizar sua aceitação no mercado internacional.
Após a secagem do café, para a remoção da água do café até que atinja 11% de umidade, o café segue para ser armazenado, de forma geral, em sacarias de polipropileno.
Estrutura comercial e negociação internacional
A exportação de café envolve diferentes agentes, considerando que os produtores podem vender diretamente para os compradores internacionais, mas grande parte das operações ocorre por meio de cooperativas e tradings.
Essas empresas consolidam volumes, negociam contratos e assumem parte dos riscos comerciais.
Os contratos internacionais definem condições como:
- Tipo de café e especificações técnicas
- Volume e forma de embarque
- Incoterm (responsabilidade sobre transporte e seguro)
- Moeda de pagamento
- Prazos de entrega
Entretanto, a volatilidade do mercado exige atenção constante, pois os preços variam conforme oferta global, condições climáticas e comportamento das bolsas internacionais.
Com isso, as empresas utilizam instrumentos financeiros para proteção contra as variações cambiais, prática essa conhecida como Hedge Cambial.
Logística interna e preparação para embarque
Após a negociação, inicia-se a etapa logística, em que o café, geralmente acondicionado em sacas de 60 kg, segue para armazéns certificados. Nesses locais, ocorre a estufagem dos contêineres, processo que exige cuidados específicos para evitar danos à carga.
A umidade representa um dos principais riscos, considerando que o café é higroscópico, ou seja, absorve a umidade do ambiente. Por isso, os operadores logísticos utilizam técnicas de ventilação para preservar a qualidade do produto durante o transporte.
O transporte interno até o porto ocorre predominantemente por via rodoviária, embora haja iniciativas para ampliar o uso ferroviário. A escolha da rota considera custos, prazos e infraestrutura disponível.

Procedimentos aduaneiros e documentação
A exportação de café exige cumprimento de formalidades aduaneiras, por isso, o exportador deve registrar a operação no Siscomex, informando dados detalhados da mercadoria e da operação.
Entre os principais documentos estão:
- Fatura comercial (Commercial Invoice);
- Packing list;
- Certificado de origem;
- Certificado fitossanitário;
- Conhecimento de embarque (Bill of Lading);
- Licenciamento e registros.
O certificado fitossanitário, emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), atesta que o produto atende as exigências sanitárias do país de destino. Sem esse documento, a carga pode ser barrada na entrada.
A Receita Federal realiza o despacho aduaneiro, que pode incluir conferência documental e inspeção física. A liberação ocorre após a verificação de conformidade da carga em relação aos dados declarados, aos documentos apresentados e à legislação vigente.
Transporte internacional e gestão de riscos
O café brasileiro segue majoritariamente por transporte marítimo e os principais portos de embarque, segundo dados do governo, incluem:
- Porto de Santos (SP), onde concentra a maior fatia das exportações de café, respondendo por aproximadamente 78% dos embarques em 2025, com 31 milhões de sacas movimentadas.
- Portos do Rio de Janeiro (Porto de Itaguaí e Porto do Rio de Janeiro), que movimentaram, juntos, cerca de 17,7% dos embarques.
Portos como o de Vitória (ES), Paranaguá (PR) e Salvador (BA), apesar de ter uma participação menor, também são relevantes para a logística do setor.
Durante o transporte, o controle das condições ambientais continua sendo prioridade, visto que as variações de temperatura e umidade podem afetar a qualidade do produto. Por isso, os operadores logísticos monitoram a carga e utilizam tecnologias para reduzir riscos.
O seguro de transporte cobre perdas e danos durante o trajeto. A contratação depende do Incoterm acordado, mas sempre requer análise cuidadosa das coberturas oferecidas.
Chegada ao destino e distribuição internacional
Ao chegar ao país importador, o café passa por novos controles, sendo que as autoridades locais verificam documentação, realizam inspeções e podem coletar amostras para análise. A liberação da carga depende do cumprimento integral das exigências do país importador.
Em mercados mais exigentes, como a Europa, há forte valorização de cafés especiais, com rastreabilidade e certificações de sustentabilidade.
A exportação de café, nesse estágio, já reflete decisões tomadas desde o campo, uma vez que a qualidade, consistência e conformidade determinam a aceitação do produto e a continuidade das relações comerciais.
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FAQ
Para quantos países o Brasil exporta café?
O Brasil exporta café para mais de 100 países, com Alemanha e Estados Unidos liderando as importações, cada um com volumes superiores a 5 milhões de sacas em 2025.
Qual foi a receita gerada pela exportação de café na safra 2024-2025?
As exportações atingiram 45,58 milhões de sacas, gerando uma receita cambial de US$ 14,7 bilhões, segundo relatório do Cecafé de junho de 2025.
Quais são os principais documentos exigidos para exportar café?
São necessários fatura comercial, packing list, certificado de origem, certificado fitossanitário e conhecimento de embarque (Bill of Lading), além do registro no Siscomex.
Qual porto concentra a maior parte dos embarques de café no Brasil?
O Porto de Santos (SP) lidera, respondendo por aproximadamente 78% dos embarques em 2025, com cerca de 31 milhões de sacas movimentadas.
Por que a umidade é um risco na logística do café?
O café é higroscópico, ou seja, absorve a umidade do ambiente, o que pode comprometer a qualidade do produto durante o transporte e o armazenamento.



