Como o planejamento logístico salva (ou destrói) uma exportaçãoem breakbulk

A exportação em breakbulk representa uma das operações logísticas mais complexas do comércio exterior. Trata-se de um tipo de embarque que exige precisão técnica, coordenação entre todas as partes envolvidas e controle de riscos.

Diferente das cargas conteinerizadas, que seguem padrões consolidados e fluxos logísticos relativamente previsíveis, o breakbulk depende de um conjunto de variáveis que podem determinar o sucesso ou o fracasso da operação, como o tipo de carga e seu volume, o porto de embarque e desembarque e a infraestrutura logística disponível.

Quando o planejamento é falho, cada um desses fatores pode se transformar em um gargalo capaz de gerar atrasos e prejuízos financeiros substanciais.

Mas quando o planejamento é bem executado, o breakbulk viabiliza operações que seriam inviáveis em outro formato.

Neste texto vamos mostrar a importância do planejamento logístico nesse tipo de operação, demonstrando como ele pode salvar ou destruir uma exportação em breakbulk.

O que caracteriza uma operação breakbulk

Antes de entender o real impacto do planejamento logístico, é importante compreender, primordialmente, a natureza da operação breakbulk.

Breakbulk refere-se ao transporte marítimo de cargas fracionadas, muitas vezes peças únicas ou equipamentos industriais, que não entram em contêineres convencionais e, portanto, exigem manuseio individualizado e mais cuidados estruturais.

Nesse modelo, o processo exige manuseio especializado com o auxílio de equipamentos adequados como o uso de guindastes, cabos de aço e planos de estiva específicos. É preciso calcular tudo para, dessa forma, garantir o equilíbrio do navio e a integridade da carga durante todo o trajeto.

Por essa razão, a exportação em breakbulk demanda planejamento detalhado e antecipado, desde o ponto de origem até o ponto final de destino.

Uma falha em qualquer etapa da operação, seja na escolha do navio, na amarração ou na documentação, pode comprometer toda a exportação.

O papel do planejamento logístico na exportação em breakbulk

O planejamento logístico no breakbulk é o processo de coordenar todas as fases da operação, com o fim de antecipar obstáculos e definir estratégias para garantir fluidez, segurança e rentabilidade.

Ele abrange não apenas o estudo técnico da carga e o mapeamento de rotas, como também a definição de prazos, contratação de transportadores, seguro e gestão de riscos.

Um bom planejamento logístico para uma exportação em breakbulk deve considerar:

  • Especificações físicas da carga, como peso, centro de gravidade, dimensões, sensibilidade a vibração e à umidade;
  • Limitações de infraestrutura, considerando estradas, pontes, portos e equipamentos disponíveis;
  • Janela de atracação, que não são fixas, e disponibilidade de navio compatível com o tipo de carga a ser transportada;
  • Restrições logísticas e conformidade regulatória;
  • Licenças e autorizações necessárias para viabilizar a operação;
  • Custos diretos e indiretos.

Tratar essas variáveis de forma integrada torna a operação mais eficiente e previsível, enquanto negligenciá-las cria gargalos logísticos que podem inviabilizar o projeto.

Como um planejamento mal elaborado destrói uma exportação em breakbulk

Um dos maiores erros nas operações breakbulk é subestimar a complexidade da logística. Em contraste com uma exportação convencional em contêiner, a exportação em breakbulk não admite improvisos. Cada decisão equivocada reverbera em efeito dominó.

Atrasos e custos portuários

A falta de sincronização entre transporte rodoviário, janela de embarque e disponibilidade de equipamentos adequados, sobretudo, é uma das principais causas de atrasos.

Uma carga que chega ao porto de embarque antes do tempo programado gera custos de armazenagem. Por outro lado, se um navio for afretado e a carga não estiver pronta para embarque, o embarcador terá de pagar Demurrage de navio parado esperando a carga, ou seja, do navio atracado no porto por mais tempo do que o prazo estipulado em contrato ou até mesmo o Frete Morto, quando o contratante não embarca a mercadoria em sua totalidade ou até mesmo quando não embarca nenhuma mercadoria, o que geraria prejuízos ao armador pela capacidade de transporte não utilizada.

Inadequação da infraestrutura

Outro erro comum é não avaliar corretamente a infraestrutura do porto de embarque e desembarque.

Uma carga de 80 toneladas, por exemplo, pode exigir guindastes com capacidade específica, além de área de pré-embarque para armazenagem e para a realização de inspeção pré-embarque. Se o porto escolhido não possui esses recursos, o embarque se torna inviável ou requer transporte interno até outro terminal, elevando ainda mais os custos logísticos.

Falta de um plano de içamento

A ausência de um plano de içamento, também conhecido como plano de rigging, bem elaborado pode gerar danos severos à carga durante o seu embarque e desembarque.

No plano de içamento deve ser mapeado e validado os pontos de içamento (lift points) da carga. Esses pontos devem suportar o esforço aplicado durante a elevação e movimentação vertical da carga.

Quanto ao centro de gravidade da carga, ele deve ser respeitado, caso contrário, a carga pode ser danificada e podem ocorrer acidentes graves.

Por isso, é comum a companhia marítima exigir a apresentação do desenho técnico do equipamento, que mostre o centro de gravidade da carga e os pontos de içamento.

A escolha correta dos spreaders bars (dispositivos auxiliares de içamento da carga) também deve ser considerada para garantir uma distribuição uniforme das forças e assim reduzir tensões indesejadas durante a elevação da carga.

Além disso, o plano de içamento deve abranger a questão da certificação de todos os slings (cintas para elevação da carga) que serão utilizados, que deverão ter capacidade compatível ao peso real da carga. De forma complementar, cada elemento do Lifting Gear, deve passar por inspeção, conforme padrões técnicos e normas aplicáveis, por isso, essa inspeção precisa ser inserida no plano.

Quando o planejamento logístico salva a exportação em breakbulk

Se o mal planejamento é capaz de arruinar uma operação, o bom planejamento é o que a torna possível, principalmente quando a carga exige condições específicas de manuseio e transporte.

Algumas práticas são determinantes para o sucesso de uma exportação em breakbulk:

Análise técnica antecipada da carga

O primeiro passo é considerar as características técnicas da carga, como peso bruto, dimensões, pontos de içamento e sensibilidade.

Essas informações orientam todas as decisões seguintes, desde o tipo de veículo para o transporte rodoviário no país de origem e destino, até o modelo de navio e o método de estiva.

Como resultado, empresas com experiência nesse tipo de operação costumam contratar engenheiros especializados em transporte de Carga Projeto para elaborar relatórios técnicos e planos de içamento detalhados.

Escolha correta do porto

O porto ideal não é necessariamente o mais próximo do embarcador, mas o mais compatível com as características e necessidades da carga.

Um terminal com calado adequado, equipamentos de alta capacidade, que possua uma área adequada de pré-embarque e com acesso facilitado a principais rodovias pode reduzir significativamente o tempo total da operação e os custos logísticos.

Além do que, portos especializados em breakbulk possuem equipes treinadas, berços dedicados e menor risco de congestionamento.

Coordenação entre os modais de transporte

Na exportação em breakbulk, o transporte intermodal ou multimodal é a regra.

Caminhões especiais, carretas pranchas e até trens, por exemplo, transportam a carga até o porto de embarque.

A integração entre os modais de transporte precisa ser calculada com precisão. Uma falha de sincronização pode interromper toda a cadeia, principalmente quando há restrições de peso em pontes, restrições de circulação em estradas e vias urbanas ou até mesmo a necessidade de escolta, emissão de licenças e autorizações específicas.

A coordenação centralizada, com monitoramento em tempo real, é essencial para garantir a fluidez nesse tipo de operação.

Gestão de riscos

Nenhuma exportação em breakbulk deve ser executada sem uma análise detalhada e gestão dos potenciais riscos.

Uma vez realizado o mapeamento de todos os riscos possíveis, desde a origem até a entrega final, é o momento de criar um plano de contingência que possa prever:

  • Canais de comunicação imediata em caso de imprevistos (danos à carga, atrasos, falha na documentação, etc.);
  • Designação de um responsável operacional em cada elo da cadeia para acionar planos alternativos;
  • Checklists integrados de conferência entre embarcador, terminal e transportador;
  • Relatórios em tempo real sobre o status da carga;

O plano de contingência ainda deve prever rotas logísticas secundárias, quando possível, considerando:

  • Utilizar transporte alternativo por ferrovia até o porto de embarque ou alterar a rota pré-programada caso haja interdição de rodovia;
  • Prever porto alternativo com berço compatível e disponibilidade de equipamentos adequados se o porto programado para embarque estiver congestionado;
  • Ter transportadoras reserva homologadas, com licenças e frota compatível para o transporte da carga caso haja indisponibilidade de veículo na data programada.

A viabilidade dessas alternativas deve ser validada previamente, incluindo cotações e autorizações especiais.

Um ponto importante que deve ser ressaltado é que toda contingência implica em custos adicionais e por isso, o plano ainda deve prever um fundo de contingência com valores estimados para:

  • Detention de navio ou Frete Morto;
  • Armazenagem adicional no porto de embarque;
  • Utilização de rotas e transportes alternativos;
  • Reembalagem ou reforço de amarração;
  • Substituição de componentes danificados.

Esses valores, portanto, devem ser provisionados antecipadamente, e o embarcador deve ter autonomia para autorizar gastos emergenciais sem travar o fluxo da operação.

Gestão logística de excelência é com a XP Shipping

Os desafios do comércio exterior exigem soluções confiáveis e bem estruturadas, principalmente quando se trata de exportação em breakbulk.

Na XP Shipping, combinamos experiência, tecnologia e acompanhamento próximo para tornar cada operação segura e eficiente, e oferecer uma gestão logística de excelência.

Entre em contato com um de nossos especialistas para que possamos fazer o transporte da sua exportação em breakbulk!